Câmara de SP aprova criação da Comissão da Verdade Municipal

Grupo vai trabalhar alinhado com a Comissão da Verdade Nacional.
Discussão do assunto gerou atrito entre vereadores.

por Roney Domingos
Do G1 SP

A Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) aprovou nesta quarta-feira (11) o projeto de resolução 01/2012, da Mesa Diretora, que cria no município de São Paulo a Comissão da Verdade, que investigará as violações de direitos humanos envolvendo casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres ocorridos no município entre 1946 e 1988. Foram 43 votos a favor, dois contra, de Agnaldo Timóteo (PR) e Carlos Apolinário (DEM), e duas abstenções, de Toninho Paiva (PR) e Adilson Amadeu (PTB).

O projeto passou em primeira votação no último dia 3 e agora só precisa ser promulgado pelo presidente da Casa. A Comissão da Verdade Municipal será composta por vereadores e irá colaborar com a Comissão Estadual, instalada no final de fevereiro pela Assembleia Legislativa do Estado. As duas comissões – a estadual e a municipal – também fornecerão informações à Comissão Nacional da Verdade do Congresso Nacional.

Ex-preso político, o vereador Gilberto Natalini (PV) subiu à tribuna para defender a aprovação da apuração dos crimes praticados durante a ditadura. Ele foi interrompido pelo vereador Agnaldo Timóteo (PR).

“É uma lástima que os meios de comunicação não se abram para contar as coisas maravilhosas que foram efetuadas pelo regime dos militares.Em 1979, João Batista de Oliveira Figueiredo disse: ‘lugar de brasileiro é no Brasil’ e trouxe-os todos de volta: assassinos, assaltantes, sequestradores, bandidos. Todos voltaaram. Porque essa comissão da verdade de um lado só? Tenha paciência.”

Natalini respondeu: “O senhor já fez o seu desabafo. Eu vou respeitar. O senhor não precisa gritar porque toda a sua emoção pode se desmoralizar quando o senhor perde o controle. Não use os mesmo ódio que os militares usaram contra mim.”

Emocionado, Natalini, que também é médico, disse que tratou da mãe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, chefe do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde presos políticos foram torturados. “Eu a tratei com a delicadeza que eu trataria a minha mãe”, afirmou Natalini.

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