Deputados criam Comissão da Verdade paralela na Câmara

Fonte: O Globo

Eles começaram a ouvir depoimentos na Câmara em reunião fechada

BRASÍLIA – Com o discurso de que a presidente Dilma Rousseff está demorando demais para instalar a Comissão da Verdade, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara decidiu criar a sua própria comissão paralela e começou, nesta terça-feira, a ouvir testemunhas daquele período que vivenciaram e atuaram de alguma maneira em um dos lados durante a ditadura militar.

Nesta primeira reunião, os parlamentares ouviram um antigo reservista do Exército, que serviu na região da Guerrilha do Araguaia, e que teria sido usado pelos militares na captura dos guerrilheiros. Houve o depoimento também de um mateiro, um morador rural da região e que teria colaborado na localização do pessoal do PCdoB.

A reunião ocorreu às portas fechadas. Teria sido um pedido das testemunhas. A decisão de transformar a reunião em secreta, irritou o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um opositor ferrenho da Comissão da Verdade, que fez críticas à deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da subcomissão e autora de um projeto que defende a revisão da Lei da Anistia e prevê a punição para os militares que cometeram violações de direitos humanos durante o regime militar.

– Assim como a outra (Comissão), esta aqui será uma comissão chapa-branca – disse o parlamentar.

Erundina afirmou que as testemunhas prestaram informações valiosas, como a de que conhecem possíveis locais na região da guerrilha onde podem ser encontrados restos mortais dos guerrilheiros, e que disseram que estão sofrendo ameaças de morte. Ao falar da reação de Bolsonaro, Erundina defendeu a cassação de seu mandato.

– O que ele fez aqui foi montar um espetáculo. Adora holofotes. A Câmara precisa adotar medidas mais duras contra seu comportamento. É intolerável e inaceitável que ainda esteja entre nós – disse Erundina. O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) criticou a presidente Dilma pela demora em criar a comissão.

– Lamento que a presidente demore tanto. Já se passaram quatro meses (da sanção da lei que criou a comissão) e até agora os integrantes não foram nomeados. Enquanto isso, vamos fazer nosso trabalho – disse Jordy.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Domingos Dutra (PT-MA), afirmou que pedirá proteção policial às testemunhas que compareceram nesta terça ao Congresso e anunciou também que os parlamentares irão até os locais apontados pelas testemunhas.

O governo já criou um Grupo de Trabalho do Araguaia, que cumpre há anos uma sentença judicial para tentar localizar ossadas de desaparecidos políticos. Dutra afirmou ainda que enviará uma carta à presidente Dilma Rousseff para que a Comissão da Verdade seja instalada logo.

– Já tá pegando até mal. A Dilma sancionou a lei há quatro meses e até agora nada – disse Dutra.

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