Escracho e Abertura dos Arquivos: É hora da VERDADE!

Do Blog do Tsavkko
Por Raphael Tsavkko Garcia


Ha pelo menos um ano, eu e a Niara de Oliveira (@NideOliveira71) conversávamos sobre a necessidade de se mudar a abordagem sobre os crimes – e os torturadores – da Ditadura. Já não tínhamos muita esperança na justiça brasileira (se é que algum dia tivemos) e já estava claro que Lula não iria, no fim de mandato, desafiar os militares.

Como vimos tempos depois, nem Dilma, ex-presa política, viria a desafiar, mas sim se aliar àqueles que a torturaram e mantiverma o país numa Ditadura brutal por mais de uma década. Comissão da (meia) Verdade feita para agradar, ou ao menos não melindrar os milicos mais chegados e só. Nenhum passo adiante e, na verdade, vários passos atrás com a insistência em se recusar a cumprir decisão da CIDH/OEA sobre a Lei da Anistia.

Pois bem, tivemos uma discussão sobre novas formas de ação e protesto, ou seja, da necessidade de não depender da justiça ou de governos vendidos para demonstrar nosso repúdio aos criminosos da Ditadura e de, ao menos, constrangê-los de alguma forma. Se não seriam presos, que ao menos pagassem com o constrangimento público por seus crimes, que andassem nas ruas sendo apontados como torturadores e assassinos e que tivessem a convivência social enquanto pessoas “normais” dificultada, ou seja, que se tornassem párias.

A idéia, claro, vem em parte da condenação de Brilhante Ustra em tribunal paulista. Se por um lado ele não foi preso, graças à Anistia tão cara à Dilma e ao STF, por outro foi declarado, com todas as letras, TORTURADOR. Um pária.

Qualquer pessoa poderia, então, olhar para quela figura desgraçada e chamá-lo, sem culpas, pelo que ele realmente é: Um monstro torturador.

Nossa ideia – mais da Niara que minha, sejamos honestos -, enfim, era a de realizar manifestações, “escrachos” nas casas e escritórios de conhecidos torturadores. Pixar os muros das casas alertando que ali morava um torturador, colar cartazes, fazer vigílias e muito barulho…

A idéia era constranger e identificar. Deixar claro para vizinhos, conhecidos e transeuntes que ali morava um torturador que merecia ser excluído do convívio social e tratado com o desprezo compatível – mas jamais com violência, nos reduzindo ao nível deles.

A idéia foi apresentada ao Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo que, na época, não achou que seria algo compatível com suas funções. Bem, acredito que estavam certos, pois a força de uma mobilização comandada por jovens sem qualquer ligação com esse passado – a maioria nasceu depois do fim da ditadura  – acabou por se mostrar maior do que se tivesse o comando de uma organização já conhecida e ligada histórica e diretamente à causa.

Como chamar de “revanchismo” a ação de jovens que não teria diretamente do que se vingar? Não que ne mpor um segundo a tese do “revanchismo” cole ou seja aceitável, mas neste caso específico os milicos de pijamas não teriam nem este pífio argumento.

O efeito foi de surpresa, muito maior do que se organizada por quem tem já um histórico na questão.

Depois da surpresa, o choque de realidade: Convivemos com vizinhos e conhecidos que torturaram e mataram e muitas vezes sequer temos noção disto, pois o passado foi escondido, mascarado e criminosos foram perdoados por seus pares, sem que o povo fosse consultado.

O perdão de miltiares dado a militares sob uma farsa chamada Anistia, em que quem lutou contra a Ditadura já havia sido exemplarmente punido: Sofreram tortura, largaram suas vidas para lutar, perderam amigos e parentes, foram demitidos de seus empregos, exilados e muitos acabaram mortos. Se tudo isto não for punição suficiente…

(assista aqui o vídeo da reportagem do Jornal da Record sobre os escrachos)

A manifestação do Levante Popular da Juventude, grupo ligado ao Consulta Popular e próximo ao PSOL, mas que contou com o apoio de outros grupos, como o MST e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados, serviu para mostrar – mais uma vez – a necessidade de total abertura dos arquivos e da punição dos criminosos que vivem como se fossem cidadãos comuns, inocentes, bons moços.

São criminosos da pior espécie que cometeram crimes contra a humanidade. Mantiveram o país em um cativeiro por mais de uma década e, hoje, se escondem por detrás da ignorância sobre nossa história imposta pelo Estado e mantida pelo atual governo, à revelia de decisões internacionais que desrespeitamos insistentemente.

Já passou da hora não só de uma Comissão da Verdade de verdade -e não o arremedo dilmista que não pune nada, nem ninguém -, da abertura completa e irrestrita dos arquivos da Ditadura e, finalmente, da PUNIÇÃO de todos que tenham cometido crimes contra o povo brasileiro e que tenham dado sustentação ao regime ditatorial, sejam eles militares ou civis.

Nós temos o direito de não sermos forçados a viver ao lado de torturadores que escaparam impunes, temos o direito de conhecer nosso passado em sua totalidade e, desta forma, ter munição para lutar por um futuro diferente.

Anúncios
Esse post foi publicado em blogagem coletiva, posts da 5ª blogagem coletiva e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s